quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

O jogo que não aconteceu

O gol fantasma de Valdez

Desde que as regras de futebol foram inventadas pelos estudantes de Cambridge não conhecemos esse esporte sendo praticado por menos que onze jogadores. No entanto, em 1973 durante a ditadura Chilena, essa regra mudou.

Esse jogo foi realizado no dia 21 de setembro de 1973 no Estádio Nacional de Santiago, onde a seleção chilena jogou sem um adversário do outro lado do campo. Assim, os jogadores tiveram que ir trocando passes até chegar ao gol e se classificarem à Copa do Mundo do ano seguinte.

“Foi a maior estupidez que já vi na vida. Entramos em campo sem adversário à frente. O juiz apitou. Nós fizemos o gol e o juiz confirmou”.  Explicou Carlos Caszely, ex jogador do Colo-Colo e seleção chilena.

Isso aconteceu por conta de um golpe militar que durou 17 anos e derrubou o governo socialista de Salvador Allande para introduzir o governo de Pinochet.

Devido ao golpe, o Chile teve de jogar um play off contra uma seleção europeia para poder ir ao mundial que seria realizado na Alemanha Ocidental, e o rival era a URSS.

A primeira partida foi em Moscou e terminou com um empate heroico dos sul-americanos sem gols.

No entanto, na segunda partida entre essas seleções, as notícias sobre a brutalidade daquela ditadura foram se espalhando pelo mundo. O Estádio Nacional de Santiago estava sendo usado como campo de detenção tortura enquanto jogos aconteciam no gramado.

Considerando o Estádio Nacional “manchado de sangue”, a União Soviética se recusou a jogar no local e exigiu que a FIFA transferisse a partida das eliminatórias em um outro estádio latino americano.

No entanto, a FIFA se recusou a transferir o jogo de estádio e obrigou a seleção chilena a entrar em campo sem adversário, e a Rússia perderia a partida logo no primeiro gol do Chile depois de várias trocas de passe entre quatro jogadores até gol.




Após a recusa, a União Soviética lançou uma nota repudiando a atitude da FIFA acusando-a de ignorar o que estava ocorrendo no Chile.  E assim, pela primeira vez a União Soviética ficava de fora do Mundial

Caszely conta que o escritor Pesoa Véliz descreveu o ocorrido através do comportamento do público no estádio.

“Eu estava naquele estádio junto com mais de 300 mil pessoas, mas tinha um setor vazio. Quando marcaram o gol, eles seguiram rumo àquele setor onde não tinha ninguém. Todos acharam estranho, menos eu. Eu sabia que estavam dedicando o gol aos que deviam estar ali”, lembra o jogador.

Além disso, outro fato marcou a carreira de Caszely quando a sua mãe foi detida e torturada antes do mundial: o jogador se recusou a apertar as mãos de Pinochet quando este lhe estendeu as mãos.

O ex jogador começou a fazer história a partir daí. Ele foi expulso na estreia do Chile no mundial. E não compareceu ao terceiro jogo do Chile contra a Austrália.

Ainda em 1974, a situação no Chile entrou no Estádio Olímpico de Berlim cuja torcida começou a entoar um canto que dizia: Chile si, junta no, e ainda conseguiram entrar no campo com uma bandeira que alertava a situação.  



Nenhum comentário:

Postar um comentário