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| O gol fantasma de Valdez |
Desde que as regras de futebol foram inventadas
pelos estudantes de Cambridge não conhecemos esse esporte sendo praticado por
menos que onze jogadores. No entanto, em 1973 durante a ditadura Chilena, essa
regra mudou.
Esse jogo foi realizado no dia 21 de setembro de
1973 no Estádio Nacional de Santiago, onde a seleção chilena jogou sem um adversário
do outro lado do campo. Assim, os jogadores tiveram que ir trocando passes até
chegar ao gol e se classificarem à Copa do Mundo do ano seguinte.
“Foi a maior estupidez que já vi na vida.
Entramos em campo sem adversário à frente. O juiz apitou. Nós fizemos o gol e o
juiz confirmou”. Explicou Carlos Caszely,
ex jogador do Colo-Colo e seleção chilena.
Isso aconteceu por conta de um golpe militar que
durou 17 anos e derrubou o governo socialista de Salvador Allande para
introduzir o governo de Pinochet.
Devido ao golpe, o Chile teve de jogar um play
off contra uma seleção europeia para poder ir ao mundial que seria realizado na
Alemanha Ocidental, e o rival era a URSS.
A primeira partida foi em Moscou e terminou com
um empate heroico dos sul-americanos sem gols.
No entanto, na segunda partida entre essas
seleções, as notícias sobre a brutalidade daquela ditadura foram se espalhando
pelo mundo. O Estádio Nacional de Santiago estava sendo usado como campo de
detenção tortura enquanto jogos aconteciam no gramado.
Considerando o Estádio Nacional “manchado de
sangue”, a União Soviética se recusou a jogar no local e exigiu que a FIFA
transferisse a partida das eliminatórias em um outro estádio latino americano.
Após a recusa, a União Soviética lançou uma nota
repudiando a atitude da FIFA acusando-a de ignorar o que estava ocorrendo no
Chile. E assim, pela primeira vez a
União Soviética ficava de fora do Mundial
Caszely conta que o escritor Pesoa Véliz
descreveu o ocorrido através do comportamento do público no estádio.
“Eu estava naquele estádio junto com mais de 300
mil pessoas, mas tinha um setor vazio. Quando marcaram o gol, eles seguiram
rumo àquele setor onde não tinha ninguém. Todos acharam estranho, menos eu. Eu
sabia que estavam dedicando o gol aos que deviam estar ali”, lembra o jogador.
Além disso, outro fato marcou a carreira de
Caszely quando a sua mãe foi detida e torturada antes do mundial: o jogador se
recusou a apertar as mãos de Pinochet quando este lhe estendeu as mãos.
O ex jogador começou a fazer história a partir
daí. Ele foi expulso na estreia do Chile no mundial. E não compareceu ao
terceiro jogo do Chile contra a Austrália.
Ainda em 1974, a situação no Chile entrou no
Estádio Olímpico de Berlim cuja torcida começou a entoar um canto que dizia:
Chile si, junta no, e ainda conseguiram entrar no campo com uma bandeira que
alertava a situação.



