No
dicionário, o significado de “posse” quer dizer: estado de quem possui uma coisa, de quem a detém como
sua ou tem o gozo dela. Simplificando, posse nada mais é que ter
controle sobre determinado objeto.
Em perspectivas futebolísticas, ter a “posse” significa
controlar a bola, tomá-la para si. No entanto, matematicamente isso é tão
difícil que um estudo feito por um analista de desempenho mostrou que passamos
99% sem tocar na bola, e 98,5% corremos sem ela.
Levando
em conta esses números, posse de bola nada mais é que a capacidade que uma
equipe tem para executar maior número de toques nela. Ou seja, é entregar a
bola a um companheiro evitando perder a posse.
Para isso acontecer, não basta apenas trocar passes para sua
porcentagem subir, porque, assim como Guardiola revelou, você tem que passar a
bola com uma intenção clara e com o objetivo de chegar ao gol adversário, não é
apenas uma questão de passar por passar.
Caso contrário, todas as equipes poderiam ser capazes de
passar a bola sem grandes dificuldades. Por isso, é necessário que cada jogador
esteja na posição certa para receber a bola, é uma questão de coordenação entre
o passador e o recebedor, criando conexões simples em posições complexas.
O Brasil demorou a similar a importância da posse de bola,
embora o nosso país seja o que mais procurava ter o controle, mas isso se
perdeu. Clubes e seleções europeias foram se qualificando e entendendo o valor
da posse, porém os clubes não evoluíram e a seleção consequentemente não
evoluiu.
Foi preciso que a Alemanha mostrasse isso e fizesse com que
os clubes percebessem que posse de bola, ás vezes, pode ser sinônimo de
vitória.
No caso da seleção brasileira, uma equipe bem menos qualificada
foi quem assumiu a responsabilidade de clarear as ideias dos brasileiros de que
algo precisava mudar na sua forma de jogar futebol.
A chegada de Tite deu uma nova cara ao Brasil que entendeu
rapidamente os conceitos do futebol atual baseando-se na posse de bola.
A seleção do treinador gaúcho passou a ter mais a posse de
bola apresentando aspectos do jogo apoiado, triangulações e compactação no
ataque, como fez nesses dois últimos jogos pela Eliminatória
Como vemos nas imagens, a seleção brasileira sempre busca a
aproximação para dar continuidade a suas jogadas até chegar ao outro lado do
campo: primeiro com o jogo apoiado desde a saída de bola, e a outra com compactação,
com todos os jogadores de linha no campo ofensivo do adversário.
E porque a seleção de Tite procura esses movimentos?
Simples. Para não perder a bola. E para isso, o Brasil precisa jogar “bobinho”,
realizar passes com maior segurança possível mesmo que esteja em meio ao
adversário.
E todos esses movimentos e intenções da seleção estão
surtindo efeito na Eliminatórias já que a equipe de Tite é a que detém os
maiores números de passes por jogo, obtendo mais de 400 passes por partida.
No jogo contra o Uruguai, por exemplo, foram 490 passes
contra apenas 191 dos Uruguaios, e o êxito dos passes foram de 82,5%. No jogo
contra o Paraguai os números também são bastante elevados: 437 passes certos
contra 179 dos paraguaios. O êxito dos passes brasileiros foram de 88,6%.
O êxito nos passes é o que mais chama a atenção na seleção
porque o volume de passes certos é apenas uma definição tática da equipe que
escolheu ter a bola, mas a precisão desses passes é a verdadeira medida de
qualidade.
Principalmente
quando essa precisão de passes são superiores no campo de ataque, lugar do qual
se encontra a maior dificuldade em manter a posse de bola. No jogo contra os uruguaios, por exemplo, o
Brasil executou 73% dos passes certos no ataque. Contra o Paraguai, a
porcentagem foi ainda maior: 83,3%.
No vídeo acima feito pela Painel Tático, demonstra
claramente como e de que forma a seleção mantém a posse de bola no campo de
ataque: muita triangulação, movimentação e compactação.
O mais importante da equipe canarinho é que a preservação da
posse de bola não é algo estéril. Ou seja, é o Brasil fazendo com que seus
adversários corram atrás da bola, a equipe de Tite realiza o jogo de “bobinho”
com seus comandados fazendo a bola correr de um lado para o outro enquanto o oponente
tenta toma-la.
Mike Hughes, um analista do Centro de Desempenho do
Instituto da Universidade do País de Gales, por exemplo, iria aprovar essa nova
seleção levando em conta seus estudos feitas em 2001 onde comprovou que equipes
com habilidade para dar mais passes efetivos é a base do êxito de uma equipe.
Só que mais do que isso, a seleção busca não apenas os passes,
mas principalmente não perder a bola uma vez que equipes que perdem mais a bola
tem aproximadamente 47,7% dos jogos derrotados. Em contrapartida, em apenas
28,4% das partidas as equipes que perdem menos a bola saem derrotados.
É
claro que cada equipe possui suas estratégias para usar melhor aquilo que tem.
Há equipes que preferem a bola, como a seleção brasileira, e outras que se
sentem à vontade sem ela, como a seleção uruguaia. No futebol, não cabe apenas
copiar o que tá dando certa a uma outra equipe, porque o mundo futebolístico é
pluralista.
Porém,
a seleção brasileira de Tite que há tempos não se encontrava tão bem dentro de
campo, hoje o seu comandante quer ser “arquiteto”, construir um modelo de jogo,
fazer o estilo do escrete canarinho ser a posse de bola e o domínio.






